estações

Mais um dia normal na estação de trem. Um número infinito de pessoas, rosto desconhecidos indo e vindo. Dentro do trem há um homem tocando violão e pedindo que lhe ajudem com algum trocado. Uma criança sentada e ao seu lado, em pé, um idoso, sua expressão é séria, mas não tão séria quanto o rosto da senhora que se mantém concentrada em seu livro ”Onde está Teresa”. Olho detalhadamente ao redor, apenas mais um dia normal, quantas vidas indo e vindo, quantas circunstâncias, quantos corações partidos haverá dentro desse vagão hoje até que o trem saia para a garagem e o expediente termine? Será que a proporção de acontecimentos bons somados será proporcional a de acontecimentos ruins? Quantos números seriam necessários para definir a estatística de quantas pessoas estão passando por dias bons ou dias ruins. Qual a média que define qual a linha tênue onde começa um e termina outro?

Dependendo do ponto de vista um dia ruim pode ser apenas uma questão de não se deixar abater pelo café que lhe manchou a camisa enquanto corria rumo ao trabalho ou não perder a calma por que o ônibus que você iria pegar saiu e você já está quinze minutos atrasado. A vida é fácil de viver, mas tudo é relativo ao ponto de vista. Temos essa tendência natural e egocêntrica de achar que o mundo tem que ir de acordo com a nossa rotina e horários; perde-se a chance de pegar o último ônibus, ganha-se alguns minutos para caminhar até a padaria, nem que seja para dar bom dia ao padeiro e sair de lá não com o cheirinho de pão novo, mas com a sensação de sorriso na alma.

Apenas o fato de um novo dia, de acordar pela manhã, abrir a janela e encher os pulmões de ar puro, há magnitude nisso. Há vida no vapor de café na xícara que esquenta as manhãs de inverno, assim como há vida no gentil ato de ceder o seu lugar no trem para quem carrega nas costas mais experiência de vida que você, nesse mesmo ato já puxa-se uma conversa sobre como o mundo era e já não é mais, descobre-se que há mais ao redor.

Um bom dia começa no momento que você encontra dentro da sua rotina algo inusitado, que te faça sentir leve e que quebre este paradigma. Que os ônibus perdidos sejam proporcionais às novas conquistas da rotina, e que o ponto de vista seja doce ao analisar um dia ruim, porque as estatísticas de o dia começar bem é diretamente proporcional à de você acordar respirando.

Have a nice week!

 

Débora.

 PicMonkey Collage

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