Her: Love In The Modern Age

 Um dos filmes à que assisti esse ano foi Her, do diretor Spike Jonze. Tenho carinho por esse diretor, acho o trabalho dele muito bom, principalmente pelo filme Where The Wild Things Are e um curta chamado I’m Here, um história de amor entre dois robôs que vivem harmoniosamente num mundo com humanos, que retrata entrelinhas a automatização e a frieza das relações, o egoísmo e a banalização do amor. 

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 Her se passa num futuro tomado pelas tecnologias que ”facilitam” a comunicação e a ”conexão” entre as pessoas. O filme gira em torno da vida de Theodore, um introvertido que trabalha numa empresa ”escrevendo” e criando (entre aspas pois em nenhum momento é tocado no teclado ou em uma caneta, ele apenas vai falando e seu computador executando) cartas e cartões de amor, despedidas, reencontros, desculpas… O longa começa com Theodore ”escrevendo” uma carta de aniversário de casamento em seu trabalho, logo em seguida vai para casa, e durante o filme percebemos que tudo pode ser acessado por comando de voz: notícias do dia, e-mails, clima, salas de bate-papos, jogos, filmes, despertador, em nenhum momento há a necessidade de se tocar em algo. 

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 Ainda abalado pelo término de seu casamento e passando por um processo de divórcio, Theodore constantemente lembra-se dos momentos vividos com sua ex, dos momentos felizes, das brincadeiras, abraços, beijos, e o mais importante de tudo e que não fica explícito num primeiro momento: do contato físico, que cada vez fica mais escasso num mundo tecnológico. Entre esses pensamentos tenta decifrar o que pode ter dado errado, o que pode ter feito o casamento sucumbir à falta de comunicação e compreensão entre ambos. Nesse meio tempo ele é surpreendido por uma novidade tecnológica que lhe chama atenção: um sistema operacional que permite criar uma companhia virtual conforme o seu jeito, apesar de estar cético quanto ao produto ele decide comprá-lo e ver como é. 

  Theodore acaba se entregando ao sistema operacional que parece ter personalidade própria, interpretado pela voz da Scarlett Johansson, e acaba se envolvendo emocionalmente, isso acaba lhe ajudando a lidar com o divórcio e o faz se sentir menos só. Porém, mesmo com toda a conexão emocional que estabelece com Samantha, o sistema operacional, que num primeiro momento satisfaz a todas às suas necessidades afetivas, a falta de contato físico e a necessidade de desconectar-se das tecnologias para se conectar ao mundo ao redor e às coisas simples é o tema principal do filme, no meu ponto de vista.

  Foi um dos melhores filmes que vi esse ano, e que vale a pena a reflexão de como lidamos com as nossas relações num mundo que hoje todos estão conectados virtualmente e o barulho das conversas dá lugar ao barulho dos teclados e toques na tela do celular.

Assista ao trailer aqui

E aqui um documentário de 15 minutos produzido por Lance Bangs, apresentando histórias e reflexões em torno do filme Her. 

Até mais! 

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